Tinha bem umas 100 pessoas…
- JP, você se lembra do maior mico que já?
O Ricardo sentou-se, afastou os livros que eu tinha posto no canto da mesa e lá pôs o copinho d’água. Se lembro! São tantos que se fosse organizar em verbetes dava um dicionário.
- Lembrei de um do fundo do baú, hoje. Foi quando fizemos amigo secreto no curso de consultoria. Cara, naquela época tinha pânico de falar em público: tremia, suava, via tudo turvo e não falava, vomitava tudo de uma vez… Daí, a gente tinha que subir num palco para aquele “meu amigo é assim, assado…” Putz, tinha bem umas cem pessoas… Só sei que acabei ficando com 2 presentes na mão: o meu e o do meu amigo… Eu fui falando, falando e abrindo o presente… do meu amigo, com o cara do lado. Porque ele tinha me tirado e eu tirado ele. Daí eu ouvi aquele “OOHH!” Geral. Uns riram, outros ficaram de boca aberta assim. Ainda lembro a cara de choque do nosso professor! Gelei, só destravei quando alguém gritou: “Vai ser gari, Ricardo!” Fiz uma piadinha tosca, me desculpei e vazei: o caminho para a cadeira nunca foi tão rápido…
Sinistro.- falei. Mas também foi uma espécie de batismo de fogo, hein?
- Pois é. O engraçado é que pouco depois a gente estava discutindo uns projetos. Eu dei o meu pitaco. Aí uma mina virou pra mim e disse: “Vai abrir o presente do seu amigo, vai!” Não entendi.
É porque você irrita as pessoas. Ela quis fazer o mesmo.
- Será? – ele pensou um pouco. – Que piranha!
Ele pegou o copo e saiu, deixando a marca d’água na minha mesa.
Falar em público pela primeira vez, para algumas pessoas é como ficar nu: é complicado no começo, mas a vergonha passa. Para outras é como o medo do goleiro na hora do pênalti: nunca passa, mas os força a serem melhores.
Quando o nosso grupo acabou a apresentação do nosso primeiro seminário, descemos eu e o Luizinho para esperar o ônibus. O Luizinho ficou quieto, fumando o seu cigarro, sem dar uma palavra. Quando o ônibus dele chegou, disse:
- Tô indo.
Mas parou antes de entrar e me encarou:
- Quer saber? Você é bom. Mas pára de ficar falando né, né, né. Parece que você está querendo que todos concordem com você. Diz o que é pra dizer. Ponto.
E correu, porque o ônibus estava saindo.
Sou Jansen Packar. Quer saber mais?
Direito de Resposta
Fala sério! É ou não é de lascar o cano?
O cara diz: “não fica tranqüilo, vou fazer uma apresentação legal. O site vai bombar…”
E me sai com umas dessas…
Que pissirica é essa de pseudo não sei quem, não sei que mais ?
Isso lá e jeito de apresentar os outros?
E eu, tolo que sou , achando que ia sair aquelas tabelinhas bacanas tipo: Packar gosta/Packar não gosta/Packar é… Packar sonha…
O pior é que esse esperto tem a cara-de-pau de me perguntar:
- Mas, JP. quem é que está interessado no que você gosta ou não gosta?
É ou não é de lascar o cano?
Isso dói. Traumatiza a pessoa de um tanto!
![]()
Falando nisso, eu quis tirar uma de popstar com a dona da lanchonete no Autoposto. Sabe como é, um descontinho sempre é bom e cortesia free melhor ainda. Eu disse:
- Sou escritor; escrevo na internet.
- É? Eu também escrevo; no bloquinho de pedidos o dia inteiro. Vai pedir ou não?
Não. Ela era feia mesmo.
Sou Jansen Packar. Quer saber mais?
A Bússola de Ouro
Baseado no primeiro livro de uma trilogia escrita por Philip Pulman, “Fronteiras do Universo: A Bússola Dourada” é uma marcante aventura fantástica que se desenrola num mundo paralelo onde as almas das pessoas se manifestam como pequenos animais; ursos falantes travam batalhas e as crianças desaparecem misteriosamente. A protagonista da história é a jovem de 12 anos chamada Lyra, uma garota aventureira que parte numa viagem para encontrar e salvar o seu melhor amigo, Roger, e termina numa estimulante jornada para salvar, não somente o seu próprio mundo mágico, como também o nosso.
No elenco de “A Bússola de Ouro”, está Nicole Kidman (ganhadora do Oscar pelo seu papel em “As Horas”, que interpretará a primeira vilã de sua carreira, Sra. Coulter, uma socialite incrivelmente glamourosa e perigosa; Daniel Craig também contracenará com Kidman, vivendo um impiedoso aventureiro e erudito que possui um passado misterioso. A protagonista, por sua vez, é Dakota Blue Richards, uma estreante que participou de um teste na Inglaterra. A garotinha foi escolhida dentre 10.000 jovens entre 10 a 13 anos. Na equipe de atores, também encontram-se outras personalidades conhecidas como Eva Green, a eterna Isabelle de “Os Sonhadores” e par romântico do James Bond em “007 – Cassino Royale” e Sam Elliot, que já atuou em produções como “Hulk”, “Fomos Heróis” e “Obrigado Por Fumar”. O filme foi roteirizado por Chris Weitz, que teve acesso à trilogia de Pulman em 2000, quando estava realizando o longa “Era Uma Vez Um Rapaz”. Weitz disse que se surpreendeu com a imaginação de Pulman e logo sentiu-se atraído pela adaptação. “Fronteiras do Universo: A Bússola Sagrada” é um filme que mistura fantasia com realidade que traz conflitos existenciais e religiosos, além de figuras fantásticas e efeitos especiais deslumbrantes.
“A Bússola de Ouro”, assim com “O Labirinto do Fauno”( que já me referia no outro post) não é exatamente um filme para crianças devido ao intenso o conflito religioso e filosofico presente no longa-metragem que vai bem além de suposições e sutilezas.
O universo paralelo, onde tudo acontece, é o aspecto mais interessante de sua história. Enquanto nossas almas são internas e invisíveis, as almas dos homens, mulheres e crianças retratados no livro e no filme tomam a forma de “dimons”, animais que, através de suas espécies, cores e aspectos, revelam mais sobre um ser humano do que qualquer ação ou declaração.
![]()
É aqui,nesse mundo diferente que cresce Lyra, uma garotinha com atitudes pouco femininas e interesses perigosos. Habitante da Faculdade Jordan, em Oxford, Inglaterra, a menina é vigiada por catedráticos e empregados que, em respeito ao tio dela, Lord Asriel, cuidam de sua educação e saúde.
Lyra, como a maioria dos heróis de fantasias atuais, é órfã. Acolhida por seu tio, um pesquisador que desafia o poder do Magistério, a jovem nada conhece sobre boas maneiras ou formalidades. Sonha em viajar com ele às terras do Norte, onde ursos polares dominam e mistérios aguardam.
O chamado Magistério é o responsável pelo grande debate em torno da história. Com características claramente religiosas, os sacerdotes que representam essa organização de poder não medem esforços para dominarem o pensamento da população. A polêmica gira em torno do chamado “Pó”, uma substância secreta que, em teoria, liga homens, dimons e outros mundos, paralelos ao nosso.
A trama de “A Bússola de Ouro” é extremamente complicada. Conflitos claramente religiosos, dramas existenciais e uma complexa viagem ao norte colocam Lyra em meio a um cenário que nem ela nem nós somos capazes de entender. Tirada da Faculdade por uma doce, mas misteriosa senhora, interpretada por Nicole Kidman, Lyra descobre que crianças desaparecidas têm muito haver com seu lugar no mundo e o destino de um objeto, a bússola de ouro. O aletiômetro dourado é capaz de dizer a verdade sobre qualquer coisa, mas somente alguém especial pode ler seus símbolos complicados. Lyra é essa pessoa.
![]()
Muita coisa acontece nesse filme que tem todo o potencial para ser um épico, mas a compreensão é dificultada. Talvez “A Bússola de Ouro” se tornasse muito mais claro sem as grandes cenas de ação ou o cuidado com o qual cada dimon foi criado. Entretanto, sem brigas entre ursos polares, vôos de dirigível e diálogos entre atores e animais desenvolvidos digitalmente, o filme perderia grande parte de sua qualidade.
É equivocado chamar o filme de “o novo ‘Senhor dos Anéis’”, mas nem por isso o filme perde seu mérito. É uma excelente aventura, com conteúdo para maiores de idade e belos efeitos visuais, capazes de atordoarem qualquer um. O que falta é simplicidade. Philip Pullman se perde em sua obra ao tentar aplicar mais magia e mistério na religião. Tudo isso foi transferido para o cinema, algo que, aliás, deve ser destacado. A adaptação para a tela grande é bem feita, mas implica em levar ao público uma história cheia de altos e baixos não necessariamente explicados.
Como Lyra, Asriel e Sra. Coulter, o detalhe mais interessante de “A Bússola de Ouro” são os dimons. A ligação entre dimons, humanos e Pó seria suficiente para arrastar aventuras por 350 páginas e transformar-se em 113 minutos de projeção. Com tantas histórias, tantas coisas reprimidas, tantos efeitos surpreendentes e personagens, humanos ou não, “A Bússola de Ouro” perde facilmente seu potencial. Não há defeitos notáveis no filme de Chris Weitz, somente excessos que nos deixam atordoados.
![]()