colecionando estrelinhas caídas na areia

JP nos Cinemas

Sex and the City – o filme

Se Manolo Blahnick, Oscar de la Renta, Cosmopolitans e Cupcake Bakeries não fazem parte de seu vocabulário e Mr. Big é apenas o nome de uma extinta banda de rock, você não está sozinho. Muitas destas palavras aí só consegui escrever porque copiei da revista.

Mas, com certeza você já viu os colares com placas com nomes e as alças de sutiã expostas, pois é. É só pra registrar que ‘Sex and the city’ ajudou a criar algumas das maiores tendências da moda dos últimos dez anos.

Então dê uma passadinha na locadora e assista a pelo menos uma das 6 temporadas de Sex and the City e conheça o seriado que apresentou ao mundo a colunista Carrie(Sara Jessica Parker), a sexualmente ativa e fogosa Samantha(Kim Catrall), a romântica Charlotte(Kristin Davis), e a prática e cínica Miranda(Cynthia Nixon). Seriado que finalmente virou filme, após 50 indicações ao Emmy, levando 7 deles, e 24 indicações ao Globo de Ouro, ganhando 8.

A trama se passa quatro anos após o fim da série e teremos algumas surpresas com esse reencontro. É claro que elas vão tentar resolver seus problemas nos lugares mais fashions de Nova York, desfilando os mais de 300 figurinos escolhido a dedo para elas, para o delíro da mulherada.

Kim Catrall exigiu um salário bem maior do que o de suas amigas Kristin e Cynthia, o que gerou algumas brigas. Mesmo assim as filmagens pararam Nova York, já que as ruas ficaram cheias de fãs e paparazzi.

Uma pesquisa no website AOL Moviefone o elegeu como “O Filme Mais Esperado do Ano“, atraindo parceiros comerciais de peso nos EUA como a Mercedes-Benz e Bacardi. Esse favoritismo se confirma, pois essas meninas superpoderosas, com seus saltos altos de grife, estão cutucando a mega-produção Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal, passando a frente nas bilheteiras. A essa altura o bom Indiana deve estar achando os Cosmopolitans drinks bem indigestos.

Mas o que nós queremos mesmo, apesar de Sara declarar que o filme tem um lado triste, é nos divertir com essas amalucadas em situações hilárias e inusitadas. Como aquela em que a Samantha, se achando perdidamente apaixonada pela primeira vez, chora muito quando descobre que o cara tem, digamos assim, um instrumento pequeno.


O Caçador de Pipas

“Há um jeito de ser bom de novo”

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Quando visitou seu país, o Afeganistão, após a publicação de seu livro, Khaled Hosseini ficou chocado. “Infelizmente, o que vi por lá era pior do que aquilo que imaginei e narrei. A destruição do país é impressionante, muito triste”, declarou em entrevista à revista Época.

Ao imaginar como poderia ter sido a vida do personagem Hassan, caso tivesse conseguido fugir para a América, Amir escreve que o amigo estaria vivendo em um país “onde ninguém se importa com o fato de ele ser um hazara”. Essa visão, escancarada em todo o filme, mostra os soviéticos e os talibãs como seres monstruosos e pervertidos sexualmente, e omite alguns “detalhes” históricos relacionados ao papel que os EUA tiveram no fortalecimento dos talibãs e na sua chegada ao poder.calador1

Assim como ocorreu com Saddam Hussein no Iraque (contra o Irã), os talibãs também foram aliados dos EUA (na luta contra os soviéticos). O civilizado e laico Ocidente foi cúmplice direto dos terríveis crimes cometidos pelos talibãs.

O que fica, do ponto de vista histórico, é o seguinte: a selvageria soviética e talibã, de um lado, e o papel salvador e civilizatório do Ocidente, do outro. Nenhuma referência sobre como países como EUA e Inglaterra – e seus aliados na região, como Paquistão e Arábia Saudita – contribuíram decisivamente para tornar o país um monte de ruínas. Alguém poderá objetar que não se pode cobrar do autor o relato sobre fatos que não presenciou. Objeção aceita. Mas, mesmo que a tomemos como razoável, isso não elimina o problema de que o pano de fundo histórico que caracteriza o filme é repleto de omissões, buracos e deformidades.cacador3

Omissões, buracos e deformidades.
Não quero entrar nos detalhes obscuros da trama para não tirar a surpresa de quem não leu o livro ou não assistiu ao filme. Mas assim como em O Ciclista, quero chamar a atenção aqui para o que é talvez a verdadeira essência da historia de Amir.
O Caçador de Pipas” é uma história profundamente emocionante de amizade, família, erros devastadores e amor redimido. Em um país dividido e à beira da guerra, dois amigos de infância, Amir e Hassan, estão prestes a se separarem. Um terrível ato de traição de um menino irá marcar suas vidas para sempre e dar início a uma busca épica pela redenção.

Agora, depois de viver nos Estados Unidos durante 20 anos, Amir volta para um perigoso Afeganistão, sob o governo mão-de-ferro do Talibã, para enfrentar os segredos que ainda o assombram e aproveitar a única e última ousada chance que tem para consertar as coisas.

O diretor nomeado para o Globo de Ouro, Marc Forster (”Mais Estranho Que a Ficção” e “Em Busca da Terra do Nunca“) dá vida ao best-seller de Khaled Hosseini com um elenco e uma equipe global diversificada, misturando um grupo notável de não atores do Afeganistão e da Ásia Central com um experiente elenco internacional. O resultado é uma viagem para um mundo novo – através de uma história humana universal que sensibiliza qualquer pessoa que alguma vez já desejou ter uma segunda chance para realizar uma mudança e obter o perdão.

Recomendo que antes ou depois de assitir ao filme leiam o livro. A narrativa em primeira pessoa alcança níveis arrepiantes tamanha a humanidade que exalam. Terá momentos tão revoltantes que vocè quererá parar, mas como Nassim em O Ciclista você precisa continuar.

caçador2Forçosamente somos obrigados a ver e repensar a forma como agimos pois somos condicionados a agir e pensar sempre individualmente e por isso sabotamos e somos sabotados constantemente.
È um olhar agudo sobre as primariedades que muitas vezes incomoda e, como bons ocidentais que somos, sufocamos num glamouroso caos de sons e acessórios. Mas elas permanecem lá, num gemido de eterna infelicidade.


Jumper

jumper 4É interessante notar a nada sutil mania de Hollywood por continuações. Atualmente, é difícil ver um blockbuster( super-produção) que contenha uma história fechada, já que seus produtores sempre pedem que sejam inseridos aqui e acolá “ganchos” cada vez mais descarados para continuações, como está sendo o principal defeito de “Jumper”.
Dirigido por Doug Liman mais descontraído que na maioria de seus filmes anteriores (com exceção do sucesso casadinho “Sr. e Sra. Smith”), o filme em sua curta duração – apenas 88 minutos – propõe uma série de conceitos fascinantes. Porém, ao invés de aprofundá-los, prefere transformá-los em perguntas a serem respondidas em uma possível seqüência, o que tira muito da força que sua história promissora poderia ter.

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“Jumper” nos apresenta ao boa-vida David Rice, um jovem milionário com um pequeno segredo: ele pode se teleportar para onde quiser. Ele descobriu seu dom após um potencialmente trágico acidente no gelo envolvendo um bully e sua paixão de colégio, Millie. Após uma discussão com seu pai, David resolve fazer que nem sua mãe e abandonar sua casa, utilizando os poderes para roubar bancos e adotar um estilo de vida que daria inveja aos ricos e famosos. Além disso, David viaja ao redor do mundo diariamente, tomando café da manhã em Nova York, passeando em Tóquio, surfando em Fiji, vendo o pôr do sol nas pirâmides e voltando para os EUA a tempo para ver o jogo dos Lakers em um lugar ao lado da quadra.

No entanto, sua vida perfeita começa a ir pelo ralo quando os misteriosos Paladinos, membros de uma organização destinada a matar aqueles “Jumpers” (saltadores) como David, começa a rastreá-lo. O misterioso e estiloso Roland tem especial interesse na perseguição do rapaz, pois crê que ele sozinho jamais teria durado tanto, com alguém estando por trás disso. No entanto, o protagonista terá a relutante ajuda de outro jumper, o irlandês rebelde Griffin, que já perdeu muito em sua vida graças aos Paladinos e tem contas muito altas a acertar com Roland.
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Novamente como um problemático protagonista, Hayden Christensen ainda sofre de um grave problema de falta de expressão( que já foi um calo nos sapatos de George Lucas). Porém, como “Jumper” está mais para um passeio divertido de montanha-russa do que para uma narrativa sci-fi mais profunda, as limitações do ator não incomodam muito. Já sua companheira de cena, Rachel Bilson, sofre um pouco com as características de sua personagem, já que Millie é uma mocinha típica em perigo e que se questiona sobre a natureza de seu par, não tendo muito a fazer em cena a não ser discutir com David e correr dos vilões (sem saber disso, na maioria das vezes).
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Samuel L. Jackson parece apenas estar se divertindo em cena, interpretando um tipo durão, algo que já virou sua especialidade. Sua primeira cena junto à Christensen vai ser uma cartase para os fãs de “Star Wars” após o último encontro dos dois atores no derradeiro episódio da citada saga espacial. Já Diane Lane é desperdiçada em cena. A despeito de sua personagem ter o conflito mais dramático dentro da história, ela aparece apenas em duas curtíssimas cenas, com a tal mania dos produtores em criar suspense para os “próximos capítulos”.

Ainda temos o jovem Max Thieriot e a promissora atriz já-nem-tão-mirim AnnaSophia Robb como as versões high school de David e Millie, estando bem mais expressivos em cena que Christensen e Bilson, diga-se de passagem. Aliás, o que falta de presença no casal principal, sobra em Jamie Bell, que vive o impetuoso jumper Griffin. Toda vez que o ator aparece em cena, podemos ver que seu personagem já passou por desventuras bem mais perigosas – e interessantes – que David, sendo uma pena que ele saia de cena tão subitamente.

Ao contrário dos filmes anteriores de Liman, onde eram os atores que comandavam o show (vide os excelentes “A Identidade Bourne” e “Vamos Nessa“), o que chama mais atenção em “Jumper” é o belíssimo visual da fita, com as mais diversas locações sendo exploradas ao máximo graças à competente direção de fotografia de Barry Peterson. Os efeitos especiais nos “saltos” e nas cenas de ação também dão um toque todo especial ao longa, sem falar na direção de arte que compõe os cenários altamente diversificados da fita. Na edição, os montadores Saar Klein, Dean Zimmerman e Don Zimmerman impõem um ritmo muito bom à produção, fora suas óbvias contribuições aos efeitos do filme.
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A curta duração do filme e o excesso de pontas soltas deixadas ao redor da produção podem deixar a impressão de que “Jumper” seria um ótimo episódio piloto para uma série. No entanto, trata-se de um filme para cinema e, com uma continuação ainda pendendo de confirmação, sua trama corre sério risco de não ser explicada nem resolvida, o que significa um fracasso para qualquer cineasta. Ainda assim, o filme é leve e divertido o suficiente para entreter.


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